Thrash com H

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THRASH COM H CLASSICS

sexta-feira, 26 fevereiro, 2010 por Txuca

Publicado originalmente em 3 de Dezembro de 2004.

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SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA THRASH COM H

cacophony

“Speed Metal Symphony”, Cacophony, 1987, Shrapnel Records

sons: SAVAGE / WHERE MY FORTUNE LIES * / THE NINJA / CONCERTO * / BURN THE GROUND / DESERT ISLAND * / SPEED METAL SYMPHONY

formação: Marty Friedman (guitarras e baixo), Jason Becker (guitarras), Peter Marrino (voz), Atma Anur (bateria)

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Houve tempo - e acho q sinto falta dele - em q ñ eram as bandas de metal melódi-cu q proliferavam como coelhos, mas sim uma horda pouco from hell de guitarristas punheteiros norte-americanos, praticantes da variante veloz e de patente Yngwie Malmsteen das artes guitarrísticas. O próprio bolo fofo (embora sueco), fora Joe Satriani e Steve Vai já eram nomes consagrados, mas seres como Paul Gilbert, Michael Angelo, Vinnie Moore, Joey Tafolla, Alex Masi, Tony Macalpine, David Chastain, entre tantos outros, parece q se achava na rua por baciada. Alguns munidos de trejeitos fusion. O selo Shrapnel - específico e ativo até hoje - deu abrigo a muitos deles, q outro dia descobri pertencerem até a um rótulo comum, “shred music“.

E o q dizer duma banda com 2 guitarristas dessa estirpe? O Cacophony, formado por Marty Friedman e Jason Becker, encabeçou algo diferente nesse “movimento” e, por isso, considero válido de resenhar no Thrash Com H, uma vez q discos de guitarristas ainda ñ tinham rolado por aqui. E tb pq, diferentemente dos shred music albuns, em sua maioria instrumentais e chatíssimos - licks atrás de licks, solos atrás de solos - “Speed Metal Symphony”, assim como “Go Off!”, disco seguinte do projeto, apresenta solos E composições.

Nada de hard rock genérico, ou easy listening (tipo aqueles hard de filme pornô soft) e/ou clichê pra emoldurar partes de solos épicas e extensas (tipo Malmsteen): cada 1 dos 7 sons aqui presentes tem começo, meio e fim. Claro q momentos de solaiada desvairada comparecem, como nos inícios de “Where My Fortune Lies”, “Concerto” e o final da faixa-título (q parece um monte de gato trepando jogado num balaio), mas cabendo, sem forçação de barra. E em q pese o nome falar em “speed metal“, apenas duas faixas correspondem mais ou menos a isso, sem q nos sintamos enganados, entretanto.

Aliás, dá pra dividir em 3 esse disco:

1) faixas pesadas: “Savage” (sombria, e com um início cadenciado), “Where My Fortune Lies” (a mais próxima a um speed metal: seja lá o q for ‘speed metal‘. Alguém me explica?), “Burn the Ground” e “Desert Lies”, q seriam as q valem o downolad pra quem tem bode de ‘disco de guitarrista’;

2) faixas elaboradas: “Concerto” e “Speed Metal Symphony”, instrumentais, extensas e repletas de solos, mas sempre mantendo a base pesada. Ambas respondem tb pela pouquíssima densidade de elementos - leia-se, CLICHÊS - eruditos (outro ponto favorável desse disco e do projeto), afinal os caras são norte-americanos, ñ europeus, além  do início interessante bem cheio de exercícios de video-aula na 1ª;

3) a faixa pra alunos do IG&T, q nem é fraca, apenas comungando com fé na linha ‘shred music‘ propriamente: “The Ninja”, com início limpo a la John McLaughlin, sei lá, e harmonias etéreas - tipo fusion - fugindo de leve do esquema hard/heavy característico do próprio Cacophony
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“Savage” e “Burn the Ground”, por mim, estivessem nalgum disco do Annihilator, ñ fariam feio nem causariam estranheza. Culpa tb do vocalista, Peter Marrino, com timbragem rasgada, q me remete tb ao Jon Oliva do Savatage inicial (pré-teclados): o cara aparece ocasionalmente, já q o q predomina são as guitarras e arranjos, mas faz bem de ñ encher o saco. Mesmo parcos momentos em q se atreve a agudos - q soam-me como os de Neil Turbina (argh!) - dá pra desencanar e seguir ouvindo o álbum.

O outro músico participante, Atma Anur, devia ser baterista de plantão na Shrapnel, já q gravou com uma pá de guitarristas (lembro vagamente de “Perpetual Burn”, solo do Becker, tê-lo tb nas baquetas), e nem aparece tanto, embora a timbragem dos tambores seja bastante PESADA: bumbos graves e bastante reverb na caixa. Deixaram o cara solar um pouquinho em “Burn the Ground”, mas ñ o suficiente pra chamar muita atenção. Vai ver ele nem queria tb.

Outros destaques - em q pese minha relativa incapacidade de falar sobre guitarristas (mal sei distinguir quando é o Jeff Hanneman e quando é o Burger King, no Slayer, vou saber distinguir aqui quando é o Becker e quando é o Friedman fritando…) - são o solinho limpo em “Desert Island”, quebrando completamente o rumo da música, mas no bom sentido, e a estrutura e batida veloz (embora ñ thrash) de “Where My Fortune Lies”, q, repito, remete um tanto ao tal speed metal, com propriedade.

Enfim, ñ é um disco tão fácil de ouvir - ñ pelo teor de solos, mas pela estrutura dos sons, q mesmo tendo estrofes e refrão, ñ ficam tão fácil na cabeça - e pq ñ há assim algum riff ou solo q dê pra sair assobiando na rua, mas vale pela curiosidade, pra desatar preconceitos e pra entender pq raios o Dave Mustaine acabou chamando o Marty Friedman pro Megadeth. A meu ver, a banda sempre foi Mustaine botando o pau na mesa, mas a combinação dele com o samambaia, em seus melhores momentos, foi o q garantiu o auê e tanta expectativa ainda existente pra cima da MARCA Megadeth, recém-ressuscitada.

E o rumo do Cacophony seguiu pela gravação dum 2º/último disco, o “Go Off!” (já citado), um pouco mais farofa e de capa horrível (pra lá de bichística), lançado via Estúdio Eldorado por aqui (em vinil), e pelas entradas, em 1989, de Becker na banda do David Lee Roth e de Friedman no Megadeth

Continuaram lançando discos-solo mesmo assim (e um do Friedman q tenho aqui gravado, “Dragon’s Kiss”, com Deen Castronovo na bateria, achei legalzinho), e hj em dia o nome Jason Becker ocupa as notas dos sites mais devido à sua doença degenerativa (q ñ lembro o nome, mas q o fez continuar tocando apenas com ajuda de computadores) e constantes apresentações e/ou tributos feitos em seu nome, enquanto o samambaia segue a carreira acompanhando cantoras japonesas de videokê em Tóquio, e renegando o legado do Megadeth - chegou em algum momento a chamar de ‘música do demônio’ e tal, mas deixa pra lá.

Nego toca guitarra pra cacete, tem uma pegada própria e exótica, e a gente tem q ficar dando atenção ao q ele fala tb?…

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